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Às vezes Deus exagera

02/08/2010

 

 

Scarlett Johansson

As muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental.

Descobri este blog há algum tempo e, na hora, lembrei-me dessa polêmica frase de Vinicius Moraes. Na verdade, eu até agora não sei exatamente o motivo de tanta polêmica. Talvez seja porque o verso é, geralmente, usado com exagero e sob uma perspectiva machista. Mas Vinícius não é isso mesmo, apesar de ter inegável talento poético? Receita de Mulher não é um texto preconceituoso, com uma visão arcaica e ultrapassada sobre o que deve ser a mulher ideal? Até pode ser, a vida e obra do velho Vinicius indicam que ele não apenas era mulherengo, como julgava a beleza um elemento capital. Não é à toa que um número expressivo de suas canções com Tom Jobim e muitos outros sucessos da Bossa Nova faziam da exaltação à beleza feminina o eixo elementar das letras.

Voltando ao blog, os autores (Miguel Marujo e um perfil online que atende como “Sal”) são, ao que me parece, portugueses ou, no mínimo, têm forte origem lusitana. Optaram por construir um site dedicado a imagens de mulheres nuas ou seminuas. Atrizes, cantoras, modelos, famosas de todo o tipo em trajes curtos ou mostrando tudo. Mas não, o site não é um antro de pornografia. Encaixa-se melhor como um divulgador de belas imagens, já que as fotografias fogem do óbvio e costumam mostrar, com extremo bom gosto, o melhor de mulheres já extraordinariamente bonitas e de outras que não chegam a tanto. Por meio do subtítulo Até que a vista nos doa. Horas de contemplação , o objetivo do site se elucida: contemplar, admirar a beleza, que talvez não seja tão fundamental, mas, quando presente, é muito poderosa.

Se não é uma visita obrigatória e nem estampa um conteúdo essencial para que sejamos bem informados, o site mereceria uma pitada de nossa atenção por exibir o que muitos chamam de belo. E, matem-me os pseudo-intelectuais, é sim a beleza uma das grandes virtudes que uma pessoa pode ter.

 

 

Natalie Portman

City of Blinding Lights

21/03/2010

Tokyo

Há alguns posts atrás, manifestei aqui meu apreço pela chuva em seus diversos formatos, sendo que gosto de ouvi-la, senti-la, tocá-la etc. Outra paixão minha é pelas “blinding lights”, as luzes da cidade, os pontos luminosos que, à noite, vem de várias alturas e em várias cores, ajudando a formar paisagens como a da figura acima.

Creio que se tivesse a livre oportunidade de escolher um lugar para morar, os únicos pré-requisitos seriam: cidade bem urbanizada, prédios altos, muita gente, vida cultural ativa e luzes, muitas luzes, noites iluminadas. Oh, sim, sou um cosmopolita confesso, urbano até dizer chega. Para mim, praias, campos e cachoeiras devem ficar limitados a momentos de lazer findáveis, escapes fundamentais da rotina, mas de efeito passageiro. Não trocaria uma cidade bem iluminada por um recinto paradisíaco.

E essa visão até que é bem comum. Há odes à paisagem noturna urbana aos montes. Para ficar em exemplos atuais, John Mayer canta exatamente isso em Neon, cuja letra guarda várias semelhanças com a música do U2 que dá nome a este post. O diretor francês Christophe Honoré é outro, que, em seus filmes, insiste em mostrar Paris e suas luzes à noite.

Brisbane

Vou um pouco adiante. Um momento especial para mim é aquele típico fim de noite de sábado, também conhecido como a volta da balada ou o retorno do barzinho – no meu caso, seria esta última. Nos bancos do carro, domina o silêncio, já que todas as energias foram gastas: o pessoal dançou, cantou, conversou bastante e provavelmente bebeu muito. Levemente embriagados, alguns dormem e outros, como eu, encostam a cabeça no vidro do carro para acompanhar o êxtase das luzes. Na madrugada, com as avenidas mais livres e o carro em maior velocidade, os skylines,os flashes, as luzes neon e tudo mais que é fluorescente ajudam a ofuscar nossa visão, compondo aquela imagem embaçada, cheia de “vagalumes”. Claro que essa viagem seria mais bem aproveitada se eu morasse em Tóquio ou se o Kassab não tivesse acabado com os outdoors luminosos. Mas, ainda assim, São Paulo possui as “blinding lights” e nelas eu vejo beleza, parte de um último suspiro antes de chegar em casa e acordar, no dia seguinte, voltando à vida real.

Para a minha alegria, a Sofia Coppola soube captar esse tipo de situação com extrema sensibilidade em Lost in Translation (Encontros e Desencontros). Você pode ver aqui, em um vídeo de qualidade não tão boa, o momento em que Scarlet Johansson e Bill Murray voltam da balada em Tóquio. Aliás, poucos filmes homenagearam tanto uma cidade quanto esse. O melhor de Tóquio, enquanto megalópole, está lá: desde a tradição dos karaokês e tudo quanto é artefato eletrônico até a altura dos edifícios, as luzes e a multidão de pessoas. E Sofia tem um olho especial, responsável por belíssimas imagens. Coisas como a cena em que Scarlet está sentada à beira de uma enorme janela de vidro, abraçando os joelhos e olhando a cidade do alto do apartamento. É um filme muito gostoso de ver e nos traz as luzes de Tóquio. Lindo!



Menos inspirada artisticamente, mas com espírito parecido, é essa cena, abaixo, de O Diabo Veste Prada:


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