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Coisa pra gente alta

24/04/2010

Rebaterei todos os argumentos sobre vantagens contra os baixinhos, mas não me venha com o sobretudo.

Se tem uma coisa que me irrita é a mania politicamente correta de pregar a igualdade de condições entre todos  e em todos os âmbitos. Claro, um mundo onde todos pudessem tudo seria ótimo, mas totalmente imagético. Vejam, não estou desprezando o famoso lema da Xuxa (“Nunca desista de seus sonhos”), apesar de achar que o “você também pode”, muitas vezes, deixa de ser um incentivo construtivo e passa a ser mentira. Isso porque as pessoas não são iguais: algumas são mais bonitas, outras tem maior habilidade com o pé direito, outras são mais altas. Algumas condições são difíceis de serem transformadas, talvez por serem intrínsecas ao ser humano ou por exigirem muito mais talento natural do que prática determinada.

O problema surge quando almejamos algo que, direta ou indiretamente, depende de tais condições e não as possuímos. O resultado certamente será uma frustração. Cabe a nós lidarmos com ela da melhor forma possível. Uma boa alternativa, ao meu ver, é expor o trauma, falar sobre ele, brincar ou até transformá-lo em um singelo post deste blog.

Pois bem, sou uma pessoa de baixa estatura. De verdade, nunca quis ser alto. Tenho muito orgulho dos meus 1metro e 66 centímetros e, geralmente, sou enfático ao defender a categoria dos baixinhos, da qual fazem parte personalidades como Chaplin, Napoleão, Churchill, Elton John, Lionel Messi e até sex symbols como Tom Cruise e Gael Garcia Bernal. Mas tenho(temos?) um calcanhar de aquiles: o sobretudo.

O ator Louis Garrel, no filme "Canções de Amor"

Sim, rebaterei todos os seus argumentos sobre vantagens contra os baixinhos, mas não me venha com o sobretudo. Não, nem sobretudos nem casacões, daqueles que vão até os joelhos. Covardia! Se tenho uma frustração ligada a minha altura é essa: não ter centímetros o suficiente para ficar bem naqueles sobretudos pretos, ícones daquela elegância européia, traje típico de altas altitudes e clima frio. O sobretudo é peça básica para aqueles que, dotados de boa estatura, querem apresentar finura, classe.

Eu até poderia usar um sobretudo, mas muito provavelmente ficaria parecido com Gimli, o anão de O Senhor dos Anéis. Já quem é mais esticado pode usufruir da imponência dessa peça e caminhar naquele andar rápido, com aquele ar posudo, atravessando alguma ponte da europa. Abotoado, carrega maior sobriedade e intimida. Desabotoado, proporciona estilo e apresenta pequenos balançares, de acordo com o vento. De qualquer forma, o sobretudo parece impor respeito, certa veneração e não deixa de ser uma peça muito sensual.

É incrível, todos os tipos de sobretudo me conquistam. Pode ser desde o sobretudo Drácula – de formas rígidas triangulares e uma longa “cauda” – até o sobretudo de Severo Snape ou outros professores de Hogwarts – que se limita a um longo tecido, sem muitos detalhes, que cobre quase o corpo todo. Para os mais altos, meu conselho é de que usem e abusem. Longe de mim, é claro. Para nós, nanicos, quem sabe em uma outra encarnação…  Enquanto isso, ainda nos resta olhar.

Gary Oldman, em "Drácula": estilo

Alan Rickman, o Snape, de "Harry Potter": poder

Gimli, ainda bem que ele tem o machado

Sobretudo, uma peça que nunca sai de moda

Chris Sarandon, o vampiro de "A Hora do Espanto": sobretudo na veia.

Dá pra resistir?

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