Posted tagged ‘Jeremy Renner’

Guerra ao Terror é uma porrada, um dos melhores filmes de 2009

17/01/2010

Sobre a Guerra do Iraque, muito já se disse e já se mostrou no cinema.  Mas nada que eu tenha visto foi tão visceral e contundente quanto este. Guerra ao Terror, da diretora Kathryn Bigelow, metralha o espectador ao acompanhar o trabalho de soldados cuja missão é desarmar bombas. Se a missão já era complicada, a coisa só piora com a chegada do Sargento James, um homem que parece necessitar de muita adrenalina e, assim, realiza os serviços com imprudência e irresponsabilidade, colocando em risco sua vida e as de seus subordinados.

O caos ao redor, o pavor dos soldados e o iminente risco de morrer a qualquer momento são retratados com habilidade rara por Bigelow. A câmera na mão, tremida, nos coloca lá, junto com os combatentes, numa aula de como criar tensão – minha mãe, que dissera estar com sono, não piscou os olhos durante o filme. Vi tamanha agitação de câmera pela última vez em Procurando Elly, suspense iraniano, dirigido por Asghar Farhadi. Da mesma maneira, em Guerra ao Terror, a ausência de artifícios distanciadores, como digressões ou modulações temporais, ajuda na sensação de veracidade. Também não há romantização – a trilha sonora, por exemplo, praticamente inexiste -, sendo tudo muito cru, uma forte aposta no retrato realista da situação.

Para completar, há um elenco afiadíssimo, com destaque para Jeremy Renner (Sargento James), que, por ser o ator principal, deveria ter seu nome com mais destaque no cartaz. A velha mentalidade publicitária das distribuidoras insiste em incoerências como essa – o cartaz traz, destacados, os nomes de David Morse, Guy Pearce e Ralph Fiennes, que fazem mínimas pontas. Esquecem, então,de Renner, brilhante, e Anthony Mackie, um dos subordinados, também ótimo.

Mas o importante é que, sem cair na armadilha de fazer politicagem ou soar superficial e americanófilo, Guerra ao Terror provoca reflexões inevitáveis a respeito da ocupação americana, de sua real necessidade e, claro, dos perigos aos quais estão expostos os soldados enviados. Penso, inclusive, que a retirada das tropas americanas, seja ela gradual ou não, acabaria sendo inevitável. Mais do que o direcionamento político de Obama, não sei quanto um governo, da visão que fosse, aguentaria a pressão de ver milhares de sacos pretos descendo dos aviões da Força Aérea todos os dias. Pois essa é a principal imagem consequente de qualquer guerra ou intervenção arbitrária: a família recebendo a volta do filho, ou aleijado, ou morto.

Outra coisa que lembramos ao ver esse filme é a terrível angústia de ter que permanecer na missão até o seu fim. Legendas anunciando os dias restantes para o  término da operação aparecem constantemente na tela. Afinal, quase ninguém é como o Sargento James; destemido para alguns, suicida para outros. Ao contrário, todos morrem de medo, todos querem voltar pra casa logo.

O Sargento James, vivido por Jeremy Renner

Abaixo, o trailer, apesar de achar que não representa bem o filme:


%d blogueiros gostam disto: