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Por que dançar?

05/09/2010

“Eu só acreditaria num Deus que soubesse dançar.” (Friedrich Nietzsche)

Definitivamente, Nietzsche era um cara que falava coisas muito interessantes. Nesse fragmento, ele expõe sua admiração por uma das artes mais antigas e sublimes: a dança. Compactua comigo ao admitir o quanto um bailado ou uma coreografia pode ganhar o semblante de algo divino. Sejam passos suaves, bruscos, flutuantes ou insinuantes, a dança vai além de um envolvente conjunto de movimentos corporais. Considero uma descoberta fantástica ver que o corpo humano, mexendo-se ao som de uma música ou apenas organizando gestos em seco, pode ajudar a expressar um sentimento, contar uma história, propor uma atitude, simbolizar um conceito, estabelecer um ritual. Enfim, dançar é falar, é cantar com o corpo.

Um grupo de bailarinos pode se amontoar de modo a construir um desenho em cena, um solista pode levar o corpo ao limite seguindo compassos musicais e um casal pode “riscar” o salão dançando um zouk. Isso tudo, entretanto, é a cênica, o lado plástico que faz da dança algo bonito de se ver. Frequentemente, esquece-se que dançar também implica em autoconhecimento, em entender melhor o que seu próprio corpo pode fazer, descobrir músculos que até então pareciam não existir. Longe de um mero exercício, dançar educa o corpo de maneira tão completa que chega a ser estranho o fato de não fazer parte do programa de aulas de educação física nas escolas. Não seria esplêndido poder “educar o físico” com danças típicas do Brasil, por exemplo? Pensem em profissionais que trouxessem aos alunos os passos básicos de ritmos nacionais e internacionais, ensinando também suas origens e vertentes, falando um pouco da arte regional. “Hoje, vamos ver como é o xaxado, oriundo do sertão nordestino, quais partes do corpo ele mais explora, por que tem esse nome, por que dançavam assim.” Além de um banho de cultura e história, os alunos aprenderiam mais sobre as possibilidades e limites dos seus corpos. Com criatividade e eficiência no projeto pedagógico, poderia se juntar a isso aulas de física e anatomia. Aprender dançando; certamente muito mais prazeroso que simplesmente olhar esqueletos ou fazer abdominais.

Utópica ou não, a ideia (devaneio?) acima serve mais para ilustrar como a dança – ou qualquer arte – vai muito além do espetáculo visual ou do sentido didático que pode adquirir. É legal porque é gostoso de fazer. Simples assim. Nem seria necessário agregar altas cargas de conhecimento coreográfico. Talvez seja suficiente dançar para se dar bem com o próprio corpo, para soltar energia, fazer os outros rirem, imitar alguém, inventar passos. Combinar uma coreografia na balada, entrar para um curso de dança de salão ou unicamente chamar aquela garota de olhar afetuoso para dançar de rostinho colado. Dance!

 

O vídeo a seguir é de The Band Wagon, um filme de 1953 que descobri vendo o documentário Santiago, de João Moreira Salles. Nele, a cena que posto abaixo é descrita como uma coisa gratuita, mas extremamente bela. A história é a de um dançarino de musicais (Fred Astaire) que é convidado a estrelar uma peça com uma bailarina clássica (Cyd Charise). Claro, surge um conflito de estilos e os dois não se dão bem. Mas tudo se resolve nessa cena, que, segundo o narrador de Santiago, mostra como certas coisas acontecem sem a gente perceber. É lindo a maneira como um simples caminhar vira uma dança.

 

O próximo é uma coreografia de Hip-hop, feita no programa So you think you can dance.

 

O grupo Momix usa somente luz e corpo para criar efeitos visuais fantásticos.

 

 

Billy Elliot, o menino que queria dançar balé

O maior dançarino da cultura pop!

A união do clássico e do popular no espetáculo "Isto é Brasil", com Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo

*Este post é dedicado a Camila, Lia e Gabriel.

Arte provocativa

18/05/2010

Nos arredores do Vaticano e nos pouquíssimos países verdadeiramente católicos – ainda não sei se o Brasil o é, desconfio que existem no máximo 4 católicos de verdade aqui – a figura acima tem sido rechaçada por sua “ousadia desmedida” em desconstruir uma imagem de grande poder simbólico para os cristãos. Trata-se de um ensaio estampado pela revista Mag! e assinado por Zee Nunes e Andre Katopodis.

O fato reforça o poder da arte quando provocativa. É como se o artista, ao tocar em tabus ou lidar com a censura, tivesse seu potencial criativo aumentado. São tipos de obras que podem ficar para a história tanto por sua beleza, quanto pela polêmica que causaram. Quem não lembra do carro Holocausto, do criativo Paulo Barros (um peixe fora d’água em meio aos outros carnavalescos), que foi censurado no Carnaval de 2008?  Além, é claro, do óbvio exemplo das canções brasileiras surgidas na época da ditadura.Sim, existem aquelas que só provocam, mas mesmo essas já me conquistam, já arrancam de mim aquele sorriso de boca fechada.

E dei vários sorrisos maiores quando acordei hoje e vi as imagens abaixo, do americano J. Scott Campbell. A coleção se chama Fairytales Fantasies.

Bela Adormecida

Alice

Bela

Branca de Neve

Cinderela

Sininho

Madrasta da Branca de Neve

Pequena Sereia

É apelativo? Distorce personagens da Disney? Sim. E é por isso que é genial. Acho até uma ideia  tardia. Afinal, quem nunca pensou a respeito do potencial sexual das princesas da Disney?  Sobre os desenhos acima, não consigo escolher o meu favorito. Só me decepcionei com a Alice, esperava mais.


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