Arquivo para fevereiro 2011

Mais do que feliz

24/02/2011

 

Tenho paixão compulsiva por pessoas que arriscam uma felicidade garantida só por terem captado, em uma faísca que seja, a chance de serem ainda mais felizes.

 

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Crítica Cultural?

13/02/2011

O crítico gastronômico Anton Ego, de Ratatouille

O crítico é uma figura naturalmente odiada. O crítico cultural, ou crítico de arte, mais ainda. Já ouvi dizerem por aí que o artista é alguém muito vaidoso, com dificuldade para aceitar críticas à sua obra. Sem dúvida, mas o jornalista também é. Tanto que há uma lista extensa de embates famosos entre os próprios articulistas, sem que, para isso, precisemos recorrer somente aos polêmicos, como Paulo Francis, Nelson Rodrigues, etc.

Claro, parte do ódio ao crítico é facilmente explicável. Vejamos o caso da crítica de cinema, por exemplo. O pessoal (diretor, produtor, roteirista) passa anos escrevendo, planejando, filmando, cuidando de todos os detalhes de um filme para, ao estrear, o filme ser massacrado, conseguir uma mísera estrelinha na classificação e abalar a reputação dos envolvidos. Diante de tal esforço anterior, é muito difícil ver um “entendido” qualquer escrever um texto de meia página descreditando o seu trabalho. Afinal, quem esse idiota pensa que é? O que ele sabe, ou pensa que sabe, para escrever assim sobre o meu filme?

Esquece-se, nessas situações, da função jornalística (“quase informativa”) da crítica. Da boa crítica, é claro. Concordo com José Geraldo Couto, um ótimo articulista, que “o papel do crítico não é o de adular o gosto do leitor/espectador, mas sim o de procurar ajudá-lo a ampliar e aprimorar o seu olhar, o de chamar a atenção para aspectos de construção e linguagem que poderiam passar despercebidos numa visão mais cândida, apressada e passiva. Pelo menos é essa a perspectiva crítica que me interessa. Nela, frequentemente o crítico entra em atrito com seu leitor, ao golpear crenças arraigadas, desestabilizar o chão das certezas, introduzir o desconforto da dúvida. Como leitor, gosto das críticas que me desafiam, que me forçam a rever com outros olhos os filmes que acabei de ver, que me obrigam a pensar, que me ampliam a sensibilidade e aguçam a visão.”

Isso acontece? Raramente. Principalmente no Brasil, a crítica cultural ainda é má desenvolvida. Espalham-se pelos jornais, revistas e portais textos sem o mínimo compromisso com a análise estética, cheios de palpites e “sensações” mal explicadas, subjetivas, frutos de uma provável falta de conhecimento técnico, dentre outros problemas. A falta de preparo e essa necessidade de criar polêmica se unem à péssima mania de se discutir o rótulo, desprezando-se a obra real. Critica-se a opção estética do autor, mas não se discute o porquê de ele ter escolhido assim, as implicações disso, se funciona ou não, etc.

Contudo, é inegável que o crítico AINDA é uma figura importante. Não só para o leitor, mas também para o artista. Uma das maiores mentiras, falada em todos os cantos no meio artístico, é aquela máxima: “não me importo com a crítica, nem leio”. Geralmente, os que dizem isso são os mesmos que respondem aos artigos com textos enormes ou desejam a morte do crítico em uma conversa com amigos num bar. Sei de pouquíssimos casos de artistas que realmente não lêem o que está sendo escrito sobre eles em veículos de grande expressão. Dos que lêem, alguns respeitam, outros repudiam, e outros insistem em passar vergonha semelhante a que passou Ed Motta no vídeo abaixo.

Sobre o vídeo: Não gosto do Álvaro Pereira Júnior e a coluna sobre música que ele escreve para o Folhateen é cheia dos vícios que apontei acima. Mas, além de inteligente, ele apresentou um privilégio mortal em qualquer discussão: informação.

Bela Decisão

06/02/2011

Pra Amanda

 

Estava muito sol, então entrei.

Mas a vista não era tão bonita, então saí de novo.

Quando sentei, apontei para o seu lugar, ao meu lado.

Mas você não quis nem saber, ficou em pé me olhando.

Que droga, eu estava ótimo ali e mesmo assim você insistia.

Levantei meio a contragosto e fui em sua direção.

Queria falar algo, perguntar por que a teimosia.

Você não deixou.

Pegou na minha mão de repente, muito rápido.

Quando dei por mim, já estávamos andando.

Pra longe dali, pra longe de toda a gente.

E, pela primeira vez na minha vida, deixei…

Deixei alguém me levar.

Nossa…

Eis uma bela decisão!

O Retorno

03/02/2011

"Pra você veeeeer, eu to voltando pra casa"

 

Adoro escrever. Na verdade, gosto de me expressar de várias formas e uma opressão que sinto constantemente é não poder, ou não conseguir, falar tudo que eu gostaria. Antes, o blog ajudava um pouco. Era espaço para divulgações, confissões, devaneios ou dissertações pretensiosas. Com o tempo, a ideia de que um blog precisava ser atualizado constantemente fez com que o ato de escrever se tornasse uma tarefa, um trabalho que não necessariamente era confortável e prazeroso. É um estágio perigoso. Rapidamente, o blog pesou e a preguiça reinou. Como considero a indisposição e a  má vontade duas das piores características do ser humano, parei de exibi-las em posts mal escritos e larguei de vez o blog.

Que bobagem! Com enorme atraso, cheguei a essa conclusão pensando que pior do que ser preguiçoso é ignorar os leitores assíduos – amigos carinhosos e pacientes – e os acidentados – aqueles que caem de pára-quedas e, não raras vezes, elogiam o que encontram por aqui. Não escrevo apenas para mim, e sim publico o que quero que seja lido, tentando compartilhar o que acho legal.  Contudo, tenho que considerar o que me dá prazer – até por uma questão de honestidade intelectual – e, por isso, escreverei com frequência indefinida. Pode ter semana com apenas um post, um dia com vários, e por aí vai. Só uma coisa: prometo que os textos serão mais curtos.

 

HERE WE GO AGAIN!

 

Ray, Norah e Billy Preston (com um solo arrasador) darão o tom dessa retomada.

 

Abaixo, um dos retornos mais felizes da minha vida, quando Simba finalmente se manca e volta para ocupar o trono.


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