City of Blinding Lights

Tokyo

Há alguns posts atrás, manifestei aqui meu apreço pela chuva em seus diversos formatos, sendo que gosto de ouvi-la, senti-la, tocá-la etc. Outra paixão minha é pelas “blinding lights”, as luzes da cidade, os pontos luminosos que, à noite, vem de várias alturas e em várias cores, ajudando a formar paisagens como a da figura acima.

Creio que se tivesse a livre oportunidade de escolher um lugar para morar, os únicos pré-requisitos seriam: cidade bem urbanizada, prédios altos, muita gente, vida cultural ativa e luzes, muitas luzes, noites iluminadas. Oh, sim, sou um cosmopolita confesso, urbano até dizer chega. Para mim, praias, campos e cachoeiras devem ficar limitados a momentos de lazer findáveis, escapes fundamentais da rotina, mas de efeito passageiro. Não trocaria uma cidade bem iluminada por um recinto paradisíaco.

E essa visão até que é bem comum. Há odes à paisagem noturna urbana aos montes. Para ficar em exemplos atuais, John Mayer canta exatamente isso em Neon, cuja letra guarda várias semelhanças com a música do U2 que dá nome a este post. O diretor francês Christophe Honoré é outro, que, em seus filmes, insiste em mostrar Paris e suas luzes à noite.

Brisbane

Vou um pouco adiante. Um momento especial para mim é aquele típico fim de noite de sábado, também conhecido como a volta da balada ou o retorno do barzinho – no meu caso, seria esta última. Nos bancos do carro, domina o silêncio, já que todas as energias foram gastas: o pessoal dançou, cantou, conversou bastante e provavelmente bebeu muito. Levemente embriagados, alguns dormem e outros, como eu, encostam a cabeça no vidro do carro para acompanhar o êxtase das luzes. Na madrugada, com as avenidas mais livres e o carro em maior velocidade, os skylines,os flashes, as luzes neon e tudo mais que é fluorescente ajudam a ofuscar nossa visão, compondo aquela imagem embaçada, cheia de “vagalumes”. Claro que essa viagem seria mais bem aproveitada se eu morasse em Tóquio ou se o Kassab não tivesse acabado com os outdoors luminosos. Mas, ainda assim, São Paulo possui as “blinding lights” e nelas eu vejo beleza, parte de um último suspiro antes de chegar em casa e acordar, no dia seguinte, voltando à vida real.

Para a minha alegria, a Sofia Coppola soube captar esse tipo de situação com extrema sensibilidade em Lost in Translation (Encontros e Desencontros). Você pode ver aqui, em um vídeo de qualidade não tão boa, o momento em que Scarlet Johansson e Bill Murray voltam da balada em Tóquio. Aliás, poucos filmes homenagearam tanto uma cidade quanto esse. O melhor de Tóquio, enquanto megalópole, está lá: desde a tradição dos karaokês e tudo quanto é artefato eletrônico até a altura dos edifícios, as luzes e a multidão de pessoas. E Sofia tem um olho especial, responsável por belíssimas imagens. Coisas como a cena em que Scarlet está sentada à beira de uma enorme janela de vidro, abraçando os joelhos e olhando a cidade do alto do apartamento. É um filme muito gostoso de ver e nos traz as luzes de Tóquio. Lindo!



Menos inspirada artisticamente, mas com espírito parecido, é essa cena, abaixo, de O Diabo Veste Prada:

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10 Comentários em “City of Blinding Lights”

  1. Amanda Says:

    LINDO!

  2. Edu Says:

    Ai, Ivan, na boa: casa comigo vai! [3]

  3. Mari Says:

    Ai, Ivan, na boa: casa comigo vai! [2]

  4. Gabriel R.M. Says:

    Hahahahaha! Sinto-me um bruto intruso para vir aqui dizer: sou mais uma fazenda! Hahahahahah! Muita sacanagem!
    As leituras de seus posts têm sido muito gostosas e mini-férias cotidianas que duram seus 5 minutos.
    As luzes são bonitas de fato.
    Esse filme daí da Johansson (agora, pra você ficar mordido) em sua fase mais bonita pela naturalidade e do Murray (não o bundão que perde para o Fish) é muito gostoso também.
    Resumindo, tá tudo gostoso: o autor é gostoso, o post é gostoso as ideias são gostosas!

    • Karen Says:

      super concordo que a Scarlett era mais bonita na época de Lost In Translation.
      e o Murray é um bundão sempre.

  5. Clau Says:

    Aivan, também sou apaixonado pelos vagalumes. Mas ainda acho que sou mais as minhas cachoeiras.

  6. Carol Says:

    Ai, Ivan, na boa: casa comigo vai!

  7. Gabriel Says:

    Melhor post!

  8. Natália Says:

    Ai, sensacional!

    Eu sempre quis escrever isso e agora você escreveu!

    Congratulations!

  9. Karen Says:

    eu poderia ter escrito isso aí!


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