A sujeira de Kassab

Podridão e incompetência

Kassab foi eleito prefeito de São Paulo a meu contragosto. Seus eleitores, em imensa maioria, votaram em sua figura, em sua pessoa e contra Marta Suplicy. Votaram no “bom moço” Kassab e não no que seu planejamento governamental ou ideologia partidária representavam. Essa mentalidade – votar na figura pessoal, sem ponderar sobre as diretrizes, feitos e caminhos futuros de seu governo – é típica do populismo e representa um atraso colossal se pensarmos em capacidade analítica, oferecida pela democracia, do eleitorado. O ódio de boa parte dos eleitores para com a candidata petista era justificável, mas virou atitude paquidérmica quando se reverteu em apoio ao candidato dos Democratas (partido que já se chamou Arena, partido do Arruda, partido do Mensalão no Distrito Federal, partido da sujeira).  Fora a ojeriza à petista, outra motivação dos votantes foi a “coragem” de Gilberto ao colocar em voga leis proibitivas, lembrando os velhos tempos da Atenas pré-democracia, onde os legisladores ganhavam moral na medida em que iam proibindo, fazendo leis, quanto mais melhor.

Não votei e não voto em Gilberto porque não compactuo com a postura política do DEM, julgo vazia a capacidade programática do governo e acho a ausência de projetos sociais da prefeitura um completo absurdo. Nem a “fama” de bom gestor público – usada incansavelmente como argumento para compensar a falta de ideias de resolução para os inúmeros problemas de São Paulo – restou ao prefeito. Grande porcaria manter a prefeitura sempre com dinheiro em caixa, sem dívidas, enquanto as pessoas se afogam nos seus próprios quintais. Li com desgosto uma manchete do Estadão, de algumas semanas atrás, revelando que metade da verba para pavimentação não foi usada, e sim guardada para o caso de alguma outra necessidade. Perfeito, não? E ainda temos que ver o prefeito dar declarações com cara de inocente, do tipo “nossa, choveu muito hein!”.

Dias depois veio outra: “Prefeitura fecha mais de 700 leitos destinados a mendigos e miseráveis”. Sim, difícil de acreditar, mas o senhor Gilberto tira, sem justificativa aceitável, o direito dos indigentes de dormirem decentemente. Que durmam nas ruas, é claro.

Agora recebo a notícia de que 1/3 dos recursos arrecadados na última campanha são de origem ilegal. Era a única faceta nojenta que ainda faltava ao nosso prefeito: péssimo gestor, omisso na hora da onça beber água, membro de uma quadrilha chamada DEM e, na sua mais nova característica, alvo de processos judiciais.

A quem votou em Kassab, meus cínicos parabéns!

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6 Comentários em “A sujeira de Kassab”

  1. Karen Says:

    ráaaaa, como não li esse post antes?! muito bom, Ivanzinho!

  2. Carol Says:

    Ivan, lindinho, muito legal o seu post, mas…

    não fuja da raia e comente o fato de o Marco Aurélio Cunha fazer parte desse partido aí e ser um dos vereadores que foram cassados.

    • ivanlord Says:

      Carol, minha admiração por Marco Aurélio Cunha se limita à sua atividade profissional no São Paulo Futebol Clube. Fui contra a sua candidatura para vereador e ser do DEM queima o filme de qualquer pessoa mesmo.

  3. Clau Says:

    Após muitos posts variados, Ivan volta falar sobre o que fala melhor: política. E com a agressividade que lhe era característica há alguns tempos atrás.

    Manda ver!

  4. Gabriel R.M. Says:

    Putz… recebi parabéns cínicos de Ivan. Uma sacanagem.
    É cara, osso do colosso isso daí.
    Peço minhas sinceras desculpas a qualquer paulistano por ter votado no pilantrão.
    Imaginei ter feito algo interessante; mas acabei me decepcionando.
    Logo na primeira vez que votei! Comecei da maneira mais tosca possível sendo eleitor. Bom, a mais não, porque nunca votei em Maluff, Sarney… Mas o “respeita doente” aí está na mesma mesa de pôquer do restante.
    Osso do colosso!
    Deveria ter votado em Minas! Aécio é mais legal (em ambos sentidos da palavra)! (Sei que são cargos diferentes: prefeito e governador. Mas se eu falasse que o prefeito de Uberaba é o Anderson Adauto, acho que não pega NADA bem! Então, vamos falar de Aécio que fico mais bem ilustrado).


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