Seal, o demolidor

Seal, mais um grande cantor do que qualquer outra coisa

Se tivesse que me classificar como um tipo de ouvinte, seria daqueles que implicam com um disco e demoram meses para largá-lo. E o álbum da vez no meu player é Soul, lançado em 2008 pelo cantor londrino Seal. Já o admirava devido a sucessos antigos como Crazy, Violet, Killer e a balada Kiss From a Rose: boas canções, expoentes de playlists versáteis que trouxeram ao britânico grande reconhecimento de público e crítica.

Soul é o último trabalho de Seal e traz como novidade o fato de todas as canções serem regravações, não há nenhuma inédita ou de sua autoria. A proposta do disco é pegar alguns clássicos do Soul e dar-lhes uma poderosa interpretação, sem alterar muito a roupagem; percebe-se que até os arranjos ainda estão muito parecidos com os originais. A diferença mesmo é o cantor. Barítono, lindo timbre, uma leve rouquidão característica e o completo domínio da técnica vocal fazem o potencial de Seal. Mas tudo isso seria insuficiente, não fosse a inteligência da interpretação – leves mudanças nas linhas vocais, muito respeito à gravação original e, ainda assim, um carimbo estilístico próprio do cantor está ali inserido.

Mais que tudo, a escolha das músicas foi corajosa por selecionar canções já consagradas por vozes como a de James Brown, John Lennon, Al Green e muitos outros. O titio Ronnie Von disse achar a interpretação de Seal para Stand by me (penúltima faixa) superior às versões de Lennon e de Ben E. King. Não só digo o mesmo, como estendo essa visão para as outras canções. Além disso, um amigo meu costuma dizer, com certa razão, que cantar soul em 6 por 8* é coisa pra quem sabe.

Essas reflexões me levam ao conceito de intérprete demolidor: aquele cantor que acaba com todas as outras interpretações já feitas para a música. Claro que, nesse caso, isso ainda seria um exagero, tendo em vista o nível dos intérpretes homenageados por Seal nesse disco. Mas os demolidores existem. Elis Regina e Milton Nascimento, por exemplo, costumam dar interpretações que, se não podem ser definitivas, são extremamente difíceis de serem superadas – ignorando, claro, o alto grau de subjetividade desse tipo de julgamento. Não sei se Seal chegará a esse patamar com tanta autoridade, mas, sem dúvidas, é um dos grandes intérpretes da atualidade e Soul é uma delícia de se ouvir.

Abaixo, posto um vídeo de uma apresentação em que o britânico canta It’s a man’s world, quase imortalizada na voz de James Brown:

* 6 por 8 é uma fórmula de compasso musical. No soul, é empregada, geralmente, em canções que tem por característica um andamento mais lento e arrastado. A música do vídeo acima é um exemplo.

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4 Comentários em “Seal, o demolidor”


  1. […] e, ainda assim, um carimbo estilístico próprio do cantor está ali inserido. (Trecho do wordpress https://umapitadaamais.wordpress.com/2010/02/05/seal-o-demolidor/ […]


  2. […] e, ainda assim, um carimbo estilístico próprio do cantor está ali inserido. (Trecho do wordpress https://umapitadaamais.wordpress.com/2010/02/05/seal-o-demolidor/ […]

  3. Mariana Says:

    Seal é de outro mundo neh. O cara canta de tudo. E prefiro ele regravando coisas do que cantando canções próprias.

  4. Gabriel R.M. Says:

    Bom, do Seal conheço só uma música. É uma dessas que citou, mas não sei qual.
    Só sei que é bem boa, de ficar na cabeça.
    Talvez o sr. me mostre esse CD novo dele numa próxima carona rumo à Av. Francisco Morato.


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