Ciência e fé

Publicado 09/03/2011 por ivanlord
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Deus nas escolas

Publicado 07/03/2011 por ivanlord
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Movido pelas discussões a respeito do ensino religioso nas escolas públicas, pensei em escrever sobre o tema aqui. O plano era filosofar sobre minha opção pessoal em relação ao tema “Deus”, citar referências e pontuar opiniões em alguns conflitos polêmicos entre ciência e religião.

O que era pretensão afundou em segundos quando li um texto de Marcelo Gleiser pra Folha. Sabe aquela inveja, aquela raiva, motivada por uma vaidade intelectual, contra um cara que escreveu exatamente o que você queria escrever?

Pois bem. Reconhecendo maior desenvoltura, habilidade textual e propriedade para falar do tema por parte do Gleiser, que admiro muito, reproduzo aqui um texto do tipo urgente, necessário e agressivo, que Gleiser escreveu para a Folha no dia 13 de fevereiro de 2011. Prometo postar depois outro texto – do domingo seguinte – muito mais bonito sobre o papel de cada campo na construção do que chamamos de conhecimento.

MARCELO GLEISER

Defendendo a ciência

Outros países educam seus jovens sobre a importância da ciência; no Brasil, há uma corrente contrária


PARECE NOTÍCIA VELHA, mas a ciência e o ensino da ciência continuam sob ataque. Por exemplo, uma busca na internet com as palavras “criacionismo”, “escolas” e “Brasil” leva ao portal www.brasilescola.com. Lá, há um texto, de Rainer Sousa, da Equipe Brasil Escola, que discute a origem do homem.

O autor afirma que o assunto é “um amplo debate, no qual filosofia, religião e ciência entram em cena para construir diferentes concepções sobre a existência da vida”. No final, diz: “sendo um tema polêmico e inacabado, a origem do homem ainda será uma questão capaz de se desdobrar em outros debates. Cabe a cada um adotar, por critérios pessoais, a corrente explicativa que lhe parece plausível”. “Critérios pessoais” para decidir sobre a origem do homem? A religião como “corrente explicativa” sobre um tema científico, amplamente discutido e comprovado, dos fósseis à análise genética? Como é possível essa afirmação de um educador, em pleno século 21, num portal que leva o nome do nosso país e se dedica ao ensino?

Existem inúmeros exemplos da tentativa, às vezes vitoriosa, da infiltração de noções criacionistas no currículo escolar. Claro, se o criacionismo fosse estudado como fenômeno cultural, não haveria qualquer problema. Mas alçá-lo ao nível de teoria científica deturpa o sentido do que é ciência e de seu ensino.

Um país que não sabe o que é ciência está condenado a retornar ao obscurantismo medieval. Enquanto outros países estão trabalhando para educar seus jovens sobre a importância da ciência, aqui vemos uma corrente contrária, que parece não perceber que a ciência e as suas aplicações tecnológicas determinam, em grande parte, o sucesso de uma nação.

Muitos dirão que são contra a ciência apenas quando ela vai de encontro à fé. Tomam antibióticos, mas rejeitam a teoria da evolução. Se soubessem que o uso de antibióticos, que aumenta as chances de que os germes criem imunidade por mutações genéticas, é uma ilustração concreta da teoria da evolução, talvez mudassem de ideia. Ou não. Nem o melhor professor pode ensinar quem não quer aprender.

Os cientistas precisam se engajar mais e em maior número na causa da educação do público em geral. Mas devemos ter cuidado em como apresentar a ciência, sem fazê-la dona da verdade. Devemos celebrar os seus feitos, mas ser francos sobre suas limitações e desafios (a teoria da evolução não é um deles!) Não devemos usar a ciência como arma contra a religião, pois estaríamos transformando-a numa religião também. Achados científicos são postos em dúvida e teorias “aceitas” são suplantadas.

Bem melhor é explicar que a ciência cria conhecimento por meio de um processo de tentativa e erro, baseado na verificação constante por grupos distintos que realizam experimentos para comprovar ou não as várias hipóteses propostas.

Teorias surgem quando as existentes não explicam novas descobertas. Existe drama e beleza nessa empreitada, na luta para compreender o mundo em que vivemos. Ignorar o que já sabemos é denegrir a história da civilização. O problema não é não saber. O problema é não querer saber. É aí que ignorância vira tragédia.

MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro “Criação Imperfeita”

Colado de <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1302201103.htm>

Abaixo, a manifestação ateísta dos Tribalistas

Obs: Recentemente, li dois livros deliciosamente antagônicos: Deus, um Delírio, best-seller do darwinista Richard Dawkins, e Em Defesa da Fé, do ex-ateu Lee Strobel. Pra quem adora dualidades é um prato cheio ler os dois ao mesmo tempo, apesar de, logo no início, a maior profundidade das teses favorecer um deles.

Mais do que feliz

Publicado 24/02/2011 por ivanlord
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Tenho paixão compulsiva por pessoas que arriscam uma felicidade garantida só por terem captado, em uma faísca que seja, a chance de serem ainda mais felizes.

 

Crítica Cultural?

Publicado 13/02/2011 por ivanlord
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O crítico gastronômico Anton Ego, de Ratatouille

O crítico é uma figura naturalmente odiada. O crítico cultural, ou crítico de arte, mais ainda. Já ouvi dizerem por aí que o artista é alguém muito vaidoso, com dificuldade para aceitar críticas à sua obra. Sem dúvida, mas o jornalista também é. Tanto que há uma lista extensa de embates famosos entre os próprios articulistas, sem que, para isso, precisemos recorrer somente aos polêmicos, como Paulo Francis, Nelson Rodrigues, etc.

Claro, parte do ódio ao crítico é facilmente explicável. Vejamos o caso da crítica de cinema, por exemplo. O pessoal (diretor, produtor, roteirista) passa anos escrevendo, planejando, filmando, cuidando de todos os detalhes de um filme para, ao estrear, o filme ser massacrado, conseguir uma mísera estrelinha na classificação e abalar a reputação dos envolvidos. Diante de tal esforço anterior, é muito difícil ver um “entendido” qualquer escrever um texto de meia página descreditando o seu trabalho. Afinal, quem esse idiota pensa que é? O que ele sabe, ou pensa que sabe, para escrever assim sobre o meu filme?

Esquece-se, nessas situações, da função jornalística (“quase informativa”) da crítica. Da boa crítica, é claro. Concordo com José Geraldo Couto, um ótimo articulista, que “o papel do crítico não é o de adular o gosto do leitor/espectador, mas sim o de procurar ajudá-lo a ampliar e aprimorar o seu olhar, o de chamar a atenção para aspectos de construção e linguagem que poderiam passar despercebidos numa visão mais cândida, apressada e passiva. Pelo menos é essa a perspectiva crítica que me interessa. Nela, frequentemente o crítico entra em atrito com seu leitor, ao golpear crenças arraigadas, desestabilizar o chão das certezas, introduzir o desconforto da dúvida. Como leitor, gosto das críticas que me desafiam, que me forçam a rever com outros olhos os filmes que acabei de ver, que me obrigam a pensar, que me ampliam a sensibilidade e aguçam a visão.”

Isso acontece? Raramente. Principalmente no Brasil, a crítica cultural ainda é má desenvolvida. Espalham-se pelos jornais, revistas e portais textos sem o mínimo compromisso com a análise estética, cheios de palpites e “sensações” mal explicadas, subjetivas, frutos de uma provável falta de conhecimento técnico, dentre outros problemas. A falta de preparo e essa necessidade de criar polêmica se unem à péssima mania de se discutir o rótulo, desprezando-se a obra real. Critica-se a opção estética do autor, mas não se discute o porquê de ele ter escolhido assim, as implicações disso, se funciona ou não, etc.

Contudo, é inegável que o crítico AINDA é uma figura importante. Não só para o leitor, mas também para o artista. Uma das maiores mentiras, falada em todos os cantos no meio artístico, é aquela máxima: “não me importo com a crítica, nem leio”. Geralmente, os que dizem isso são os mesmos que respondem aos artigos com textos enormes ou desejam a morte do crítico em uma conversa com amigos num bar. Sei de pouquíssimos casos de artistas que realmente não lêem o que está sendo escrito sobre eles em veículos de grande expressão. Dos que lêem, alguns respeitam, outros repudiam, e outros insistem em passar vergonha semelhante a que passou Ed Motta no vídeo abaixo.

Sobre o vídeo: Não gosto do Álvaro Pereira Júnior e a coluna sobre música que ele escreve para o Folhateen é cheia dos vícios que apontei acima. Mas, além de inteligente, ele apresentou um privilégio mortal em qualquer discussão: informação.

Bela Decisão

Publicado 06/02/2011 por ivanlord
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Pra Amanda

 

Estava muito sol, então entrei.

Mas a vista não era tão bonita, então saí de novo.

Quando sentei, apontei para o seu lugar, ao meu lado.

Mas você não quis nem saber, ficou em pé me olhando.

Que droga, eu estava ótimo ali e mesmo assim você insistia.

Levantei meio a contragosto e fui em sua direção.

Queria falar algo, perguntar por que a teimosia.

Você não deixou.

Pegou na minha mão de repente, muito rápido.

Quando dei por mim, já estávamos andando.

Pra longe dali, pra longe de toda a gente.

E, pela primeira vez na minha vida, deixei…

Deixei alguém me levar.

Nossa…

Eis uma bela decisão!

O Retorno

Publicado 03/02/2011 por ivanlord
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"Pra você veeeeer, eu to voltando pra casa"

 

Adoro escrever. Na verdade, gosto de me expressar de várias formas e uma opressão que sinto constantemente é não poder, ou não conseguir, falar tudo que eu gostaria. Antes, o blog ajudava um pouco. Era espaço para divulgações, confissões, devaneios ou dissertações pretensiosas. Com o tempo, a ideia de que um blog precisava ser atualizado constantemente fez com que o ato de escrever se tornasse uma tarefa, um trabalho que não necessariamente era confortável e prazeroso. É um estágio perigoso. Rapidamente, o blog pesou e a preguiça reinou. Como considero a indisposição e a  má vontade duas das piores características do ser humano, parei de exibi-las em posts mal escritos e larguei de vez o blog.

Que bobagem! Com enorme atraso, cheguei a essa conclusão pensando que pior do que ser preguiçoso é ignorar os leitores assíduos – amigos carinhosos e pacientes – e os acidentados – aqueles que caem de pára-quedas e, não raras vezes, elogiam o que encontram por aqui. Não escrevo apenas para mim, e sim publico o que quero que seja lido, tentando compartilhar o que acho legal.  Contudo, tenho que considerar o que me dá prazer – até por uma questão de honestidade intelectual – e, por isso, escreverei com frequência indefinida. Pode ter semana com apenas um post, um dia com vários, e por aí vai. Só uma coisa: prometo que os textos serão mais curtos.

 

HERE WE GO AGAIN!

 

Ray, Norah e Billy Preston (com um solo arrasador) darão o tom dessa retomada.

 

Abaixo, um dos retornos mais felizes da minha vida, quando Simba finalmente se manca e volta para ocupar o trono.

Por que dançar?

Publicado 05/09/2010 por ivanlord
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“Eu só acreditaria num Deus que soubesse dançar.” (Friedrich Nietzsche)

Definitivamente, Nietzsche era um cara que falava coisas muito interessantes. Nesse fragmento, ele expõe sua admiração por uma das artes mais antigas e sublimes: a dança. Compactua comigo ao admitir o quanto um bailado ou uma coreografia pode ganhar o semblante de algo divino. Sejam passos suaves, bruscos, flutuantes ou insinuantes, a dança vai além de um envolvente conjunto de movimentos corporais. Considero uma descoberta fantástica ver que o corpo humano, mexendo-se ao som de uma música ou apenas organizando gestos em seco, pode ajudar a expressar um sentimento, contar uma história, propor uma atitude, simbolizar um conceito, estabelecer um ritual. Enfim, dançar é falar, é cantar com o corpo.

Um grupo de bailarinos pode se amontoar de modo a construir um desenho em cena, um solista pode levar o corpo ao limite seguindo compassos musicais e um casal pode “riscar” o salão dançando um zouk. Isso tudo, entretanto, é a cênica, o lado plástico que faz da dança algo bonito de se ver. Frequentemente, esquece-se que dançar também implica em autoconhecimento, em entender melhor o que seu próprio corpo pode fazer, descobrir músculos que até então pareciam não existir. Longe de um mero exercício, dançar educa o corpo de maneira tão completa que chega a ser estranho o fato de não fazer parte do programa de aulas de educação física nas escolas. Não seria esplêndido poder “educar o físico” com danças típicas do Brasil, por exemplo? Pensem em profissionais que trouxessem aos alunos os passos básicos de ritmos nacionais e internacionais, ensinando também suas origens e vertentes, falando um pouco da arte regional. “Hoje, vamos ver como é o xaxado, oriundo do sertão nordestino, quais partes do corpo ele mais explora, por que tem esse nome, por que dançavam assim.” Além de um banho de cultura e história, os alunos aprenderiam mais sobre as possibilidades e limites dos seus corpos. Com criatividade e eficiência no projeto pedagógico, poderia se juntar a isso aulas de física e anatomia. Aprender dançando; certamente muito mais prazeroso que simplesmente olhar esqueletos ou fazer abdominais.

Utópica ou não, a ideia (devaneio?) acima serve mais para ilustrar como a dança – ou qualquer arte – vai muito além do espetáculo visual ou do sentido didático que pode adquirir. É legal porque é gostoso de fazer. Simples assim. Nem seria necessário agregar altas cargas de conhecimento coreográfico. Talvez seja suficiente dançar para se dar bem com o próprio corpo, para soltar energia, fazer os outros rirem, imitar alguém, inventar passos. Combinar uma coreografia na balada, entrar para um curso de dança de salão ou unicamente chamar aquela garota de olhar afetuoso para dançar de rostinho colado. Dance!

 

O vídeo a seguir é de The Band Wagon, um filme de 1953 que descobri vendo o documentário Santiago, de João Moreira Salles. Nele, a cena que posto abaixo é descrita como uma coisa gratuita, mas extremamente bela. A história é a de um dançarino de musicais (Fred Astaire) que é convidado a estrelar uma peça com uma bailarina clássica (Cyd Charise). Claro, surge um conflito de estilos e os dois não se dão bem. Mas tudo se resolve nessa cena, que, segundo o narrador de Santiago, mostra como certas coisas acontecem sem a gente perceber. É lindo a maneira como um simples caminhar vira uma dança.

 

O próximo é uma coreografia de Hip-hop, feita no programa So you think you can dance.

 

O grupo Momix usa somente luz e corpo para criar efeitos visuais fantásticos.

 

 

Billy Elliot, o menino que queria dançar balé

O maior dançarino da cultura pop!

A união do clássico e do popular no espetáculo "Isto é Brasil", com Carlinhos de Jesus e Ana Botafogo

*Este post é dedicado a Camila, Lia e Gabriel.


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